Todo champanhe é um espumante, mas nem todo espumante é um champanhe

Antes de sair chamando todos os vinhos efervescentes de champanhe novamente, pare e leia esse texto até o fim. Para ajudar a desvendar as diferenças entre essas bebidas borbulhantes que são a alma do réveillon, Lindslei Antunes, sommelière e wine influencer,  preparou um guia definitivo para você entender tudo sobre o assunto. Confira a seguir.   

Champanhe e espumante, entenda as diferenças 

A palavra champanhe é utilizada somente para designar um vinho branco espumante, produzido na região de Champagne na França. Isso significa que é uma denominação de origem controlada. Por isso, qualquer outro vinho elaborado com essas características em outros locais do mundo recebe a denominação de vinho espumante. Mas toda a regra tem uma exceção e uma delas cabe à vinícola riograndense Peterlongo, que detém legalmente o direito de usar esse termo.   

A descoberta dessa bebida foi obra dos monges Dom Pérignon e Dom Ruinart. Aliás, Dom Pérignon foi responsável por diversas descobertas fundamentais na produção do champanhe como, por exemplo, a mistura de diferentes vinhos da região, uso de garrafas de vidro mais espesso, o uso da rolha de cortiça e a escavação de adegas profundas. 

A partir daí, a fama mundial da bebida ficou por conta da utilização nas coroações dos reis franceses. Assim, a Champanhe ganhou o mundo como o vinho dos reis. 

O espumante é um vinho intranquilo que passou por espumatização, ou seja, ele é gasoso. Na realidade esta é denominação genérica de vinhos em que as perlages (bolhas de dióxido de carbono) ficam retidas no vinho pelo processo de fermentação natural (ou induzido), por meio de alguns métodos de produção como Champenoise (Tradicional ou Clássico), Transferência (Transfer), Charmat (Tank), Asti (Dioise ou Martinotti), Ancestral, entre outros. 

Ao contrário da palavra Champanhe, o termo espumante não possui denominação de origem e é utilizado em todo mundo para descrever esse tipo de vinho. Porém, o espumante deve formar sua perlage obrigatoriamente por meio da fermentação natural. Caso o sofra adição de anidrido carbônico, esse vinho é descrito como frisante.

Vinhos espumantes pelo mundo 

Além da França, existem outras regiões produtoras de vinhos espumantes espalhadas pelo mundo velho e novo mundo. Em cada uma delas, o resultado da espumatização recebe um nome diferente, entenda. 

Champagne:  Vinho espumante francês produzido pelo método Champenoise somente na região de Champagne em Épernay, nordeste da França, obrigatoriamente produzido à base de apenas de 3 variedades de uvas, são elas: Chardonnay, Pinot Noir, Pinot Meunier.

Cremant: d’Alsace, de Bordeaux, de Bourgogne, de Die, du Jura,de Limoux, de Loire. É um vinho espumante francês produzido pelo método Traditionelle (ou Champenoise) fora da região de Champagne.

Franciacorta, Oltrepo e Trento: É um vinho espumante italiano DOCG (Denominação de Origem Controlada e Garantida) elaborados pelo método clássico, produzido a partir de uvas cultivadas dentro nas colinas da província de Brescia, na Lombardia.

Cava: É um vinho espumante espanhol produzido pelo método tradicional, A cava tradicional é produzida à base das variedades de uva: Macabeo (Viura), Xare-lo e Parrelada. ventualmente Garnacha, Monastrell, Chardonnay e Pinot Noir no caso dos Rosados.

Sekt: É um vinho espumante alemão produzido pelo método Tradicional (Champenoise). Não é uma bebida muito popular no restante do mundo em função das classificações legais complexas que não ajudam o consumidor na hora de escolher qual deles beber. 

Prosecco: É um vinho espumante originalmente italiano produzido pelo método charmat (ou tank) a partir da uva Glera, tradicional do Vêneto.

Moscatel: É um vinho espumante adocicado produzido pelo método asti de fermentação da uva moscato. O Rio Grande do Sul é internacionalmente reconhecido como produtor dos moscatéis de maior prestígio e reconhecimento. 

Frisante: É um vinho gaseificado naturalmente ou artificialmente através da adição de anidrido carbônico, os rótulos mais populares são produzidos a partir da uva Lambrusco, tradicional da região de Emília-Romana, na Itália.

Sobre Lindslei Monteiro Antunes 

 

Lindslei Monteiro Antunes é sommelière profissional formada pela Escola Alta Gama de Curitiba, com curso de especialização em harmonizações realizado em Roma na Itália. Além disso, mantém em sua conta pessoal no Instagram dicas e fatos interessantes sobre o universo do vinho no Brasil e exterior. https://www.instagram.com/lindslei/

Nina Machado

Jornalista, especialista em marketing digital e gestão de pessoas trocou o mundo corporativo em busca de uma vida mais conectada com seu propósito. Em 2019 criou o projeto Ficar Bem aos 40 para abordar assuntos do universo feminino 35+. Além disso, é co-editora do Corra Mais e repórter do Inova Mais, ambas editorias do portal RIC Mais.

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