Gatia? Explica isso guri!

Quando completei 40 anos, deparei com um neologismo feito a mim:
“Pô, você é uma Gatia!”
Eu bem bobona logo lasquei: “Gatia, explica isso guri”
“Gatia, uma tia gata”. Disse o garoto com jeito meio “maromba” de academia.

Eu tenho quatro décadas nesse planeta escuro e a frase era pra ser um elogio, lógico, mas fiquei petrificada. Gatia. Putz. A sensação de que a juventude fenece é acachapante. Eu só conseguia ver a “Tia” no final do termo. Todas nós estamos nos esvaindo nos anos e quando tia não representa mais a personagem sensual do chicote em punho com a lingerie preta que fez sucesso na televisão nos anos 1990, cuidado. Vocês lembram dela, né, garotas?

Virar tia à revelia, sem querer, sem ter vontade foi o espanto-mor de quem se via ainda, mezzo-menina. Eu nem era tia de verdade. E na rua e nas baladas, virei parente de quem tinha menos de 25 anos. Senhor , perdoai-lhes porque eles não sabiam o que diziam. Me chamar de tia me dava coceira, urticária. Na época, proibi minha filha de chamar “tia” as mães das amigas dela e as professores do colégio.

Ser chamada de tia, pra mim, era a morte. Ainda mais por uns carinhas bonitinhos. Tia eu fui só do filho do meu irmão. E finito. Quem me chamasse de tia fora do grau de parentesco levava um laço. De cinto. Agora a coisa mudou – as pessoas me chamam de senhora. A minha urticária piorou. Se tia era a morte, senhora é a pá de cal.

Escrito por Andreia Rabaiolli,  jornalista e tem a agência de mídias sociais Mundo Líquido em Lajeado, no Rio Grande do Sul. Gosta de escrever para sair da borda, de ler para sair da bolha e estuda redes sociais para entender o mundo líquido. Gosta de rock, sufoca o funk e enaltece histórias invisíveis. Sendo reais e humanas, vale o embalo digital.

 https://www.instagram.com/agenciamundoliquido/

Nina Machado

Jornalista, especialista em marketing digital e gestão de pessoas trocou o mundo corporativo em busca de uma vida mais conectada com seu propósito. Em 2019 criou o projeto Ficar Bem aos 40 para abordar assuntos do universo feminino 35+. Além disso, é co-editora do Corra Mais e repórter do Inova Mais, ambas editorias do portal RIC Mais.

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